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Dr. Carlos Arruda – Ginecologia, Endometriose e Cirurgia Ginecológica em São Paulo – SP

Lipedema pode gerar dor, irregularidades na pele e facilmente é confundido com celulite.

Você sente dor nas pernas, inchaço que não melhora, e já tentou de tudo para emagrecer mas a gordura nas coxas e nos quadris simplesmente não vai embora?

Se isso parece familiar, pode ser que você tenha LIPEDEMA: e isso não é falta de esforço, nem de força de vontade!

O lipedema é uma doença real, crônica e que afeta milhões de mulheres no Brasil e no mundo. Mas infelizmente, muitas passam anos sem o diagnóstico correto, sendo confundidas com casos de obesidade ou “retenção de líquido”.

Neste artigo, eu vou te explicar tudo o que você precisa saber sobre o lipedema: o que é, quais são os sinais, como funciona o diagnóstico e, principalmente, por que o ginecologista tem um papel tão importante no tratamento dessa doença.


Por que procurar um ginecologista para o tratamento do lipedema?

Meu nome é Carlos Augusto Pintor de Arruda (CRM-SP 199.991), sou Ginecologista e Obstetra (RQE 101.557), Fellow em Endoscopia Ginecológica e Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva e com pós-graduação em Endocrinologia Ginecológica pela LUME.

Ao longo da minha carreira, percebi algo que me chamou muito a atenção: muitas mulheres que chegavam ao meu consultório com queixas ginecológicas — como dor pélvica, endometriose, alterações menstruais — também apresentavam sinais claros de lipedema. E isso não é coincidência!

As evidências científicas mais recentes mostram que o lipedema é, na verdade, uma doença hormonal. Ou seja, ela está diretamente ligada ao funcionamento dos hormônios femininos, especialmente o estrogênio.

Por isso, o ginecologista é um dos profissionais mais importantes na identificação e no tratamento dessa doença. Somos nós que acompanhamos a mulher nos momentos em que o lipedema costuma aparecer ou piorar: na primeira menstruação, durante a gestação e na menopausa.

Se você suspeita que tem lipedema, eu posso te ajudar. Minha abordagem une o conhecimento da ginecologia com o entendimento profundo da relação entre hormônios e gordura, oferecendo um cuidado completo e atualizado.


O que é o lipedema?

O lipedema é uma doença crônica que causa o acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas, coxas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Essa gordura é diferente da gordura comum: ela é dolorosa, inflamada e não responde a dietas ou exercícios físicos.

Para ficar mais claro: imagine que você faz uma dieta rigorosa, perde peso no rosto, no abdômen, no tronco — mas as pernas continuam do mesmo tamanho. É exatamente isso que acontece com quem tem lipedema.

A definição médica mais aceita hoje é:

Lipedema é um acúmulo de gordura desproporcional, doloroso e simétrico, que acomete o tecido conjuntivo.

Apesar de ter sido descrito pela primeira vez em 1940, foi somente em 2019 que a OMS reconheceu o lipedema como uma doença. E aqui vai um dado impressionante: cerca de 70% de todas as publicações científicas sobre lipedema no mundo foram feitas de 2019 para cá. Ou seja, é uma doença que ainda estamos aprendendo a entender.


Quantas mulheres têm lipedema no Brasil?

Estima-se que 10% a 12% de todas as mulheres tenham lipedema. Isso significa que, a cada 10 mulheres, pelo menos uma convive com essa doença — muitas vezes sem saber.

No Brasil, isso representa aproximadamente 5 milhões de mulheres!

E esses números aumentam quando olhamos para mulheres que já têm outras doenças ginecológicas. Estudos recentes mostram que, entre mulheres com endometriose, a incidência de lipedema pode chegar a 30%. Ou seja, 3 a cada 10 mulheres com endometriose também têm lipedema.


Como saber se eu tenho lipedema? Sinais e sintomas

O diagnóstico do lipedema é clínico! Ou seja, é feito pelo médico durante a consulta, com base nos seus sinais e na sua história. Não existe ainda um exame de sangue ou de imagem que confirme sozinho o lipedema.

Mas existem sinais bem característicos que ajudam a identificar a doença. Veja se você se reconhece:

O que NÃO é lipedema: é muito importante diferenciar o lipedema de outras condições!

  • Não é obesidade: a gordura do lipedema não responde a dietas
  • Não é linfedema: embora o lipedema possa evoluir para linfedema em casos avançados
  • Não é celulite comum: o lipedema causa dor real e progressão da doença
  • Não é varizes: apesar de poder ter alterações vasculares associadas

Por que o lipedema é uma doença hormonal?

Essa é a parte mais importante deste artigo e é o que diferencia a minha abordagem como ginecologista.

O lipedema não é causado por um excesso de hormônio no sangue. Ele é causado por uma falha local, dentro do próprio tecido gorduroso. Ou seja, a gordura da mulher com lipedema reage de forma exagerada ao estrogênio que o próprio ovário produz normalmente.

Funciona assim: dentro da gordura doente, existem enzimas alteradas que fazem com que o estrogênio fique “preso” naquele tecido. Ao invés de ser eliminado, ele se acumula e causa inflamação, dor e crescimento desordenado da gordura.

Esse mecanismo é idêntico ao que acontece na endometriose. Na endometriose, o tecido fora do útero também produz e aprisiona estrogênio localmente, causando dor e inflamação.

Em quais momentos da vida o lipedema aparece ou piora?

O lipedema costuma surgir ou se agravar nos momentos de maior oscilação hormonal na vida da mulher:

  1. Na primeira menstruação (puberdade) — muitas mulheres relatam que as pernas começaram a “crescer” nessa fase
  2. Na gestação — é comum ganhar peso nas pernas durante a gravidez e não conseguir perder depois
  3. Na menopausa e no climatério — esse é o momento mais crítico, com piora em até 48% dos casos

Esses três momentos são exatamente os mesmos em que outras doenças ginecológicas, como endometriose e mioma, também podem piorar. Mais uma evidência de que o lipedema é uma doença ginecológica.


Lipedema e endometriose: seriam a mesma doença em locais diferentes?

As semelhanças entre lipedema e endometriose são impressionantes. Veja:

  • Ambas causam dor crônica.
  • Ambas provocam sofrimento emocional intenso.
  • Ambas são subdiagnosticadas — muitas mulheres passam anos sem o diagnóstico correto.
  • Ambas são progressivas — pioram com o tempo se não tratadas.
  • Ambas têm as mesmas alterações enzimáticas no tecido doente.
  • Ambas têm resistência à ação da progesterona no local da doença.
  • Ambas são doenças hormonais de ação local (intácrina), não sistêmica.

Na prática, se você olhar um tecido de endometriose sob o microscópio e comparar com a gordura inflamada do lipedema, verá características muito parecidas: inflamação, vasos sanguíneos alterados, migração de células de defesa (macrófagos).

É por isso que pesquisas recentes propõem que o lipedema seja considerado uma doença ginecológica extrapélvica — ou seja, uma doença ginecológica que se manifesta fora da pelve, no tecido gorduroso!


Por que dieta e exercício sozinhos não resolvem o lipedema?

Essa é uma das maiores fontes de frustração para quem tem lipedema. Você faz dieta, treina, toma remédios para emagrecer — e a gordura das pernas simplesmente não muda.

Isso acontece porque a gordura do lipedema é diferente da gordura comum. Existem duas “camadas” de gordura no corpo de quem tem lipedema:

  • A gordura normal (amarela, saudável), que responde a dieta e exercícios
  • A gordura do lipedema (inflamada, vermelha, com fibrose), que NÃO responde a déficit calórico
Diferença entre gordura normal e gordura do lipedem

Quando você emagrece, perde a gordura normal — mas a gordura do lipedema continua lá. Por isso que muitas mulheres emagrecem no rosto, nos braços, no abdômen, mas as pernas continuam do mesmo tamanho.

Estudos mostram que até mesmo a cirurgia bariátrica, com perda média de mais de 50 kg, não melhora os sinais de dor do lipedema. A perna continua do mesmo volume.

Importante: Perder peso é útil quando há obesidade associada (o que ocorre em cerca de 60% dos casos). A obesidade piora o lipedema. Mas o tratamento do lipedema em si exige abordagens específicas.


Quais são os estágios do lipedema?

O lipedema é uma doença progressiva, ou seja, tende a piorar ao longo do tempo se não tratada. Atualmente, a classificação mais aceita divide a doença nos seguintes estágios:

  • Estágio 1: A pele tem aparência normal, mas já existem nódulos pequenos na gordura. A dor pode ser leve.
  • Estágio 1,5: Transição entre os estágios, com aumento da irregularidade da superfície da pele.
  • Estágio 2: A pele começa a ficar irregular, com “dobras” maiores e nódulos mais evidentes. A dor aumenta.
  • Estágio 2,5: Transição para quadros mais graves, com maior volume e desconforto.
  • Estágio 3: Grande deformidade, com grandes massas de gordura e comprometimento da mobilidade.

Nos estágios mais avançados, pode haver também comprometimento do sistema linfático, levando ao chamado lipo-linfedema.

É por isso que o diagnóstico e o tratamento precoces são tão importantes. Quanto antes você começar a cuidar, maiores as chances de controlar a progressão da doença.

Os diferentes estágios do lipedema

Como é o tratamento do lipedema?

O lipedema não tem cura, mas tem tratamento. E com o tratamento adequado, é possível ter uma melhora significativa na dor, na qualidade de vida e até na progressão da doença.

O tratamento ideal é multidisciplinar e envolve várias frentes:

Mudanças no estilo de vida

  • Dieta anti-inflamatória (dieta mediterrânea ou low carb) — são as únicas abordagens alimentares com evidência de benefício no lipedema
  • Atividade física regular, preferencialmente de baixo impacto (caminhada, natação, pilates, hidroginástica)
  • Controle do peso — quando há obesidade associada, emagrecer ajuda a diminuir a sobrecarga sobre a gordura do lipedema

Terapias de suporte

  • Meias de compressão — ajudam a controlar o inchaço e melhorar a circulação
  • Drenagem linfática manual — auxilia no retorno linfático
  • Acompanhamento psicológico — fundamental para lidar com o impacto emocional da doença

Tratamento hormonal

Aqui está o grande diferencial da abordagem ginecológica. Como o lipedema é uma doença hormonal, o tratamento com progestinas (medicamentos que atuam nos receptores hormonais) pode trazer benefícios importantes.

As opções incluem:

  • Drospirenona — é a progestina que, na minha prática clínica, apresenta os melhores resultados. Ela tem efeito antifibrótico (reduz a formação de fibrose na gordura), anti-inflamatório e ajuda no controle do inchaço. Além disso, pode ser usada como contraceptivo e tem valor no tratamento da TPM intensa.
  • Gestrinona — uma progestina sintética que inibe a aromatase e a enzima que converte hormônios em estrogênio. Pode ser útil em casos mais graves ou quando há endometriose associada. É importante destacar que a gestrinona não é esteróide anabolizante — ela é uma progestina regulamentada pela ANVISA e deve ser usada com orientação médica.
  • Outras progestinas — como dienogeste e análogos, dependendo do caso e das necessidades individuais de cada paciente.

A escolha do tratamento hormonal é sempre individualizada, levando em conta a sua história, suas queixas e seus objetivos.

Novos tratamentos: o papel da tirzepatida

Uma das maiores novidades no tratamento do lipedema envolve a tirzepatida, um medicamento originalmente desenvolvido para diabetes e obesidade.

A tirzepatida é diferente dos outros medicamentos para emagrecer porque ela não age apenas reduzindo o apetite. Ela tem um efeito anti-inflamatório e antifibrótico muito potente — exatamente o que a gordura do lipedema precisa.

Estudos recentes mostram que a tirzepatida pode:

  • Reduzir significativamente a inflamação no tecido gorduroso
  • Reverter a fibrose (endurecimento da gordura)
  • Melhorar o funcionamento dos macrófagos (células de defesa) no tecido adiposo
  • Proporcionar alívio rápido da dor — muitas pacientes relatam melhora em poucos dias

É importante ressaltar que esse é um campo em estudo. Mas os resultados iniciais são muito promissores, e publicações recentes em revistas científicas de alto impacto já propõem a tirzepatida como um potencial modificador do curso da doença.

A tirzepatida, vendida sob o nome de Mounjaro, pode ser a bala de prata no tratamento do lipedema.

Tratamento cirúrgico do lipedema

A cirurgia (lipoaspiração especializada) é indicada quando há falha do tratamento clínico ou em casos mais avançados da doença. Ela pode ser:

  • Cirurgia descompressiva — para casos graves, com grande volume de gordura
  • Cirurgia estética (lipo-HD) — para casos em que o tratamento clínico já deu bons resultados e se busca melhoria estética

Com o avanço do tratamento clínico, cada vez menos pacientes precisam recorrer à cirurgia. Na minha experiência, menos de 10% das pacientes com bom acompanhamento clínico precisam operar.

Atividade fisica leve é um bom tratamento pro lipedema

Esteróides anabolizantes tratam o lipedema?

Não! Essa é uma das maiores mentiras que circulam nas redes sociais.

Nenhum esteroide anabolizante trata o lipedema. Se esteroides não tratam a endometriose — que tem o mesmo mecanismo —, por que tratariam o lipedema?

O lipedema é uma doença hormonal e inflamatória. Ganhar massa muscular não resolve o problema da gordura inflamada que está por cima do músculo. E os riscos dos anabolizantes — queda de cabelo, acne, alterações hepáticas, alterações cardiovasculares — são reais e graves.

Desconfie de qualquer profissional que apresente esteroides anabolizantes como tratamento para o lipedema. Isso não tem respaldo em nenhuma publicação científica séria.

Mas lembre-se, implante hormonal (erroneamente chamados de ‘chips’ ou ‘chip da beleza’) não é a mesma coisa que esteroides. Os implantes são uma forma de aplicação do tratamento hormonal, que tem muito resultado no tratamento do lipedema, mas devido ao uso indevido, ficaram com má fama.


Perguntas frequentes sobre o lipedema

O lipedema só dá nas pernas?

Não necessariamente. O lipedema começa mais frequentemente nas pernas, mas pode acometer também os braços e, em casos de progressão, a região abdominal. Onde houver gordura, o lipedema pode se manifestar.

Lipedema tem cura?

Não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com acompanhamento adequado — incluindo mudanças de estilo de vida, tratamento hormonal e, quando necessário, cirurgia — é possível controlar a dor, frear a progressão e melhorar muito a qualidade de vida.

Minha mãe tem lipedema. Eu também vou ter?

Existe um componente genético importante. Cerca de 60% das mulheres com lipedema têm história familiar da doença. Se a sua mãe ou avó tinham pernas com essas características, vale a pena investigar.

Lipedema tem tratamento e pode melhorar sua qualidade de vida

Dr. Carlos Augusto, ginecologista, atendendo paciente com lipedema

Você não está sozinha!

Se isso faz sentido pra você…

Se você chegou até aqui e se identificou com o que leu, saiba que você não está sozinha e que não é culpa sua. O lipedema é uma doença real, séria, e que merece atenção médica!

Eu acredito profundamente que o ginecologista é peça fundamental no cuidado da mulher com lipedema. Porque é uma doença hormonal. Porque está ligada às fases hormonais da vida feminina. E porque, quando tratada por quem entende de hormônios, os resultados são significativamente melhores.

Se você quer entender melhor o que está acontecendo com o seu corpo, agende uma consulta. Vamos conversar com calma, avaliar o seu caso e traçar juntos o melhor caminho para você.


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